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Como a respiração nasal interfere no seu cérebro

Um novo estudo encontrou evidências que mostram que existe uma ligação entre a respiração nasal e nossas funções cognitivas.

Para entender bem este artigo, vamos definir respiração como o ato de Inspirar (ou inalar), que trata-se de puxar o ar para dentro dos pulmões e Expirar (ou exalar) que é o momento em que liberamos o ar que está nos pulmões. Quando falamos sobre respiração, nos referimos ao ciclo completo. Também existem as retenções com ou sem ar, que não serão tratadas neste artigo.

Estamos acostumados a ouvir, durante situações nas quais estamos tendo problemas “Respire fundo…”. A ciência nos diz que nós deveríamos modificar levemente essa frase “Inspire profundamente e isso irá te tornar mais consciente das suas emoções, mas somente se você exalar pelo nariz, e não pela boca – Boa sorte!”.

Apesar desta ser uma frase demorada para se falar em momentos chave, o poder da respiração ativa – voluntária, inalar e exalar com controle sobre o ritmo da respiração – tem sido usado no decorrer de toda a história da humanidade. Até mesmo nos tempos atuais, em situações táticas de soldados, ou pessoas em condições extremas de frio, nós sabemos que a respiração lenta e profunda pode acalmar o sistema nervoso, reduzindo a taxa de batimento cardíaco e ativando o sistema parassimpático (aquele que acalma o sistema nervoso. Dessa forma, nosso corpo se acalma e nossa mente se aquieta.

Como a respiração nasal influencia o cérebro?

Médicos e cientistas estavam investigando sobre como a respiração afeta o cérebro e as regiões responsáveis pela memória e processamento emocional. Através de uma série de experimentos, eles descobriram que a inspiração nasal tem um papel fundamental na coordenação elétrica dos sinais cerebrais numa região do córtex responsável pelo olfato (a região do cérebro que recebe as informações que entram pelo nariz), essa região coordena a amígdala (região que processa as emoções) e o hipocampo (responsável tanto pelas memórias quanto pelas emoções).

Nós sabemos que o sistema olfativo está diretamente ligado com o sistema límbico do cérebro, uma parte mais instintiva, relacionada às emoções, memórias e comportamentos, por isso que as vezes um cheiro específico pode nos provocar memórias com um grande impacto emocional. Esse estudo mostra, ainda, que a arte de aprender a inspirar e expirar pelo nariz, mesmo quando não há nenhum cheiro específico no ar, pode influenciar nossas emoções e nossa memória.

Inicialmente, alguns cientistas examinaram sinais elétricos no cérebro de 7 pacientes com epilepsia, colocando eletrodos nas suas cabeças, eles descobriram que o ritmo natural e espontâneo da respiração estava em sincronia com os sinais do ritmo cerebral nessa região “olfativa” do cérebro. Eles também perceberam que durante a inalação nasal, os ritmos elétricos da amígdala e do hipocampo ficam mais fortes. Uma forma de entender isso é pensando em sistemas de uma orquestra: A respiração nasal é um maestro, definindo o tempo dos instrumentos mais lentos da região olfativa do cérebro, enquanto surge um ritmo poderoso que melhora o centro de emoções e memórias.

A Inspiração decodifica memórias e regula as emoções

Para um entendimento mais profundo sobre esse efeito de sincronia entre a respiração nasal e nossas regiões cerebrais, os cientistas conduziram experimentos separados em 60 pacientes saudáveis, para testar os efeitos da respiração nasal nas memórias, emoções e comportamentos destes. Os sujeitos da experiência foram surpreendidos com rostos de pessoas com cara de susto ou surpresa, tendo que tomar rápidas decisões sobre qual emoções estavam sendo demonstradas nessas imagens, assim que as viam. Foi percebido que eles tinham capacidade de reconhecer as faces que apresentavam a emoções de medo muito mais rápido quando as faces apareciam no exato momento em que estavam inspirando pelo nariz. O mesmo efeito não ocorria quando eles estavam exalando pelo nariz, tampouco pela boca.

Os cientistas também testaram as memórias (associadas com o hipocampo), neste teste os 60 sujeitos tiveram que lembrar imagens que eles tinham tido acesso anteriormente. Foi percebido que eles conseguiam lembrar muito mais das imagens que tiveram acesso enquanto estavam inalando pelo nariz. Observando que essa capacidade de memórias, emoções e comportamentos se ativa apenas na inalação.

Nossa respiração é como um controle remoto para o cérebro, que afeta diretamente os sinais cerebrais que se comunicam com nossos centros de processamento de memórias e emoções.

Pensando nisso, percebemos que podemos otimizar a utilização do nosso cérebro através da respiração pelo nariz, para ter uma discriminação de pensamentos, sentimentos e emoções mais rápidas, além de melhorar nossa memória.

Inspiração pelo nariz controla os sinais e direcionam nosso processamento emocional e de memória.

Mas e sobre a expiração?

Como mencionado anteriormente, expiração lenta e estável acalma nosso sistema nervoso, ativando o sistema nervoso parassimpático, reduz a frequência cardíaca, diminuindo sensações de ansiedade e estresse.

Então podemos observar que respirar lentamente (seja na inspiração ou na expiração) é benéfica para nosso sistema nervoso, quando desejamos ter um melhor controle emocional. De fato, a respiração consciente enfatiza não apenas o nosso sistema respiratório, provendo oxigênio para nosso corpo, mas também os componentes mentais, prestando atenção e se tornando mais conscientes do que está acontecendo na nossa mente e corpo.

Observando de uma maneira sem julgamentos, sem forçar o “ter que” estar num estado interno específico, estamos de fato mais capazes de observar nosso processamento mental e emocional, sentir nossos corpos e pensamentos mais serenos. Isso pode se tornar um caminho para uma vida mais saudável, prática e com mais energia e melhor rendimento de tempo. Nossa respiração é poderosa o suficiente para regular emoções, ajudar a ganhar clareza mental, e nos ajudar a centrar nossa mente, pensamentos e emoções.

Em alguns momentos do seu dia, dedique 5 minutos para simplesmente observar sua respiração, tornando-a lenta e profunda, respirando de uma forma confortável (não permitindo quase ficar sem fôlego) e perceba como sua capacidade mental melhora no decorrer do dia!

Fonte do artigo original:
https://www.mindful.org/breath-brains-remote-control/